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Sexta, 17 Agosto 2018 13:13

Gente não é descartável mas despreparo, sim!



Há aproximadamente 10 anos faço parte do Universo adotivo como dizem alguns. Minha vida foi devidamente esmiuçada em seus mais diversos aspectos – e beirando as raias do constrangimento inexplicável – para ser considerado apto à adoção de uma criança ou adolescente.Isto acontece com todos que se dispõem a formar uma família com a presença de um filho pela adoção legal.
Interessante como nós que pretendemos a paternidade via adoção somos passivos neste processo todo. Digo isto pois – em momento algum e para não ter em nossos relatórios psicossociais nenhuma “nota vermelha” - questionamos quem são nossos entrevistadores os quais terão o poder do Céu ou Inferno de indicar nossa pretensão de paternidade ao Ministério Público.

Não sabemos quem são estas pessoas , quais seus históricos pessoais , seus anseios, frustrações, realizações e projetos de vida. Nos entregamos apenas confiando em seu profissionalismo e – acima de tudo – em seu sentimento de humanidade.

Finalmente somos considerados aptos à adoção e – via de regra não sem grande sofrimento de parte à parte – nossos filhos finalmente chegam aos nossos lares. Nos casos das ditas adoções tardias – conceito que não acredito pois nunca é tarde para pais e filhos se reencontrarem – a relação que se estabelece em família, os novos vínculos sociais que se formam à partir da escola tem uma dinâmica totalmente diferente daquela cujos pais que receberam seus filhos ainda bebês seja pela via biológica ou adotiva. Um processo doloroso dentro da criança se estabelece à partir da reconstrução da auto-estima , da auto-valorização e em voltar a acreditar no amor, aconchego e carinho. A mesma batalha é enfrentada pelos pais que se lançam ao desconhecido – muita das vezes – sem o acompanhamento de um grupo de apoio à adoção tendo que lidar com este Universo estranho em que o filho quer ser amado mas não acredita primeiro que mereça ser amado dependendo da idade em que foi adotado e segundo se ele pode voltar a confiar nas pessoas que tomaram de sua mão e o levaram para a formação de um novo lar.

Tomados de todo o amor e cuidados levamos nossos filhos às escolas para que se integrem – agora não mais como “ aquele menino ou menina abrigados “ mas como filhos de fulano e beltrano. Confiamos nestas pessoas - que irão conduzir este processo de reinserção dos nossos filhos à uma nova vida de convívio - da mesma forma que confiamos nos técnicos dos setores responsáveis pela habilitação de postulantes à adoção. Ledo engano!!!

Apesar das inúmeras campanhas e esforços dos mais diversos setores da sociedade tropeçamos ainda em situações – criminosas ao meu ver – causadas por profissionais da área de pedagogia que sem o mínimo preparo pessoal e por lapso em políticas de reciclagem quanto ao assunto negligenciadas pelos diretores escolares que desconstroem muita das vezes todo um trabalho realizado pelos pais no aconchego dos lares.

Ressalto que existem as exceções e – testemunho pessoal meu – profissionais sérios, competentes e dedicados também são uma realidade.
Recebo esta semana mensagem enviada à direção de uma escola por parte de uma “recém” construída família à qual é auto-explicativa e que passo à reproduzir em abaixo preservando os nomes envolvidos e em especial da criança, à saber:

“Prezado Sr. Diretor.

Boa tarde.
Em este mês de agosto, em reunião de pais e mestres, foi dito pela professora que presidiu a reunião, aonde esteve presente meu companheiro, que ela conversou com o nosso filho no sentido de que agora que ele esta sendo adotado e que deveria se comportar ou poderia ser devolvido ao abrigo.

Absurdamente, em outras ocasiões nosso filho já tinha me dito que alguns professores também disseram isso entre eles e o pior diretamente para ele. Isso alterou consideravelmente com o psicológico do mesmo. Achei até que ele pudesse ter entendido errado, porém, foi dito a mesma coisa em reunião para na presença de meu companheiro.

Francamente, qual preparo psicológico esses professores possuem?

Aonde já se viu tratar uma criança como se ela fosse um objeto?

Já conversei com meu filho e expliquei para ele que eu como pai, JAMAIS faria isso. Um pai ensina, repreende, castiga se for preciso, mas não devolve o filho, porque assim o é, até porque não há distinções legais entre um filho “ legítimo “ – conforme preferem nomear alguns - e um adotado perante a lei.

Gostaria que isso fosse discutido com o Corpo Docente da escola para que tais fatos assim não voltem a ocorrer com outras crianças. Tal despautério jamais deveria advir de uma pessoa que se preza a ensinar.

Lamentável tudo isso e este foi um dos motivos - senão o principal - que me fez transferir meu filho de escola pois compreendo agora uma das razões do baixo rendimento escolar do mesmo.

Outrossim, aguardo uma retratação FORMAL E POR ESCRITO desta instituição de ensino quanto à estes fatos esdrúxulos e que – reitero – alteraram de tal forma o psicológico da criança, fazendo-se necessário tratamento psicológico ainda este mês, já com o devido encaminhamento.”.

Bem, a resposta da dita instituição de ensino não se fez por esperar e – como se estivesse tratando de algo banal ou corriqueiro – deu-se da seguinte forma:


“ Prezado Senhor.
Boa tarde.

Conforme solicitado pelo senhor, o corpo docente da Escola Estadual será comunicado sobre o ocorrido. Ressaltamos que a Unidade Escolar já aborda tais temas durante as reuniões semanais e isso será enfatizado em reunião geral com os docentes. Pedimos desculpas por qualquer ocorrido e nos colocamos à disposição.
Desde já agradecemos a compreensão.

Att,
Diretor da Unidade Escolar

Pode algo mais protocolar, distante e não comprometido?

Senhores educadores e dirigentes escolares – me atenho aqui à área da Educação – que tal fazer uma meia volta e retornar ao ponto em que se acreditava que o maior bem do mundo são os seres humanos????

Como pai há 08 e 05 anos de dois filhos maravilhosos – pois tiveram também o benefício de serem acolhidos em escola dirigida e com um Corpo Docente comprometidos com o ser humano – concordo com a indignação deste pai eme solidarizo com o sofrimento de toda a família em especial de seu filho.

Por: Claus-Peter O Willi
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Viver amor na família

O amor que nos une, nos torna uma família.

FAMÍLIA
Lei nº 12.010 de 2009 - Artigo 25 : "Entende-se por família extensa ou ampliada aquela que se estende para além da unidade pais e filhos ou da unidade do casal, formada por parentes próximos com os quais a criança ou adolescente convive e mantém vínculos de afinidade e afetividade." (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009)

“Na estação da vida fomos atraídos pelo vagão do destino que nos levou para uma maravilhosa viagem de encontro ao amor.”