Entrevistas
    
Segunda, 20 Novembro 2017 14:53

Entrevista com Wesley Marlon Eto Willi

A adoção por casais homoafetivos atualmente tem sido vista com certo preconceito pela sociedade e a adoção tardia é pouco procurada pelos pretendentes à adoção.
Nesta entrevista conheceremos um pouco da história de Wesley Marlon Eto Willi que foi adotado com 11 anos por um casal homoafetivo. Hoje, com 16 anos, Wesley é voluntário do Instituto Chico Xavier e leva uma vida normal e feliz como qualquer adolescente que teve a oportunidade de ter uma família.

“Todas as noites elas vão dormir pensando quando vai ser a vez delas de ganhar uma família e muitas vezes essa crianças vão dormir chorando e pensando que não merecem uma família e que não merecem amor...”


1. Qual o nome de seus pais e desde que idade mora com eles?
Claus Peter de Oliveira Willi e Helio Yoshinori Eto.Desde 11 anos de idade.

2. Com quantos anos você foi morar num abrigo e como era seu dia a dia?
Por volta de 5 ou seis anos. Meu dia a dia lá era quase como numa família! Eu tinha minhas tarefas e deveres. Eu ia para escola e depois eu ia para o treino de futebol e a noite eu fazia a lição de casa. Claro que via TV também e fazia muita bagunça com os outros meninos.

3. Como era a convivência com as outras crianças do abrigo?
Era normal como uma grande família com muitos irmãos e irmãs.

4. Qual era o sentimento de morar num abrigo sem ter o aconchego de um lar e de uma família?
Um sentimento bom, pois com o passar do tempo o abrigo acaba se tornando o nosso lar e as outras pessoas que estavam lá acabam se tornando nossa família. A gente vai se acostumando pois é aquilo que tinha.

5. Como foi receber a notícia de que poderia ter a possibilidade de uma nova família, mas com pais homossexuais?
Não sei dizer direito pois naquele momento foi uma coisa nova e inesperada

6. Como foi no início desta transição e convivência entre você e seus pais?
Meio estranha e difícil muitas vezes mais depois foi ficando mais fácil e melhor.

7. Há um ano você tem um novo irmão que entrou para a família com 13 anos. Como foi receber este irmão mais novo?
Sim. Normal, pois eu já tinha vivenciado algo parecido no passado. Quando entravam os menores no abrigo, eu já tinha aprendido a dividir as coisas com eles. E fui eu quem pediu aos meus pais para adotarem um irmão para mim.

8. Como é sua convivência e dia a dia com seus pais e irmão?
Normal exatamente como uma família comum...

9. Você sente algum tipo de preconceito entre seus amigos por ter pais homossexuais?
Nenhum mesmo. Alguns chegam até a dizer que gostariam de ter dois pais também.

10. Conte-nos um pouco sobre suas atividades. O que faz e o que gosta de fazer quando não está na escola?
Quando não estou na escola eu gosto de praticar esporte - jiu-jitsu e academia de musculação, e assistir programas sobre culinária.

11. Seus pais são espíritas e você faz parte da Mocidade Espírita da Casa Espírita que freqüenta. Como foi conhecer o Espiritismo?
Foi uma coisa legal, pois eu não tinha nenhuma religião e fui descobrindo muitas coisas novas.

12. O fato de seus pais realizarem trabalhos voluntários e trabalharem em Instituições Sociais teve alguma influência em sua decisão em se tornar um voluntário?
Sim, pois eles me ensinaram sobre a importância de ajudar o próximo independentemente de quem seja.

13. Que tipo de trabalho voluntário realiza e o que sente ao poder contribuir com a caridade e solidariedade?
Sou voluntário do Instituto Chico Xavier no departamento do Clube do Livro e auxilio meu pai nas palestras dele. Acompanho todas as palestras, ajudando nas apresentações e dando meus depoimentos algumas vezes.

14. Quais seus planos para o futuro?
Pretendo ser chef de cozinha e viajar para outros países.

15. Muitas pessoas são contra adoção de crianças por casais homoafetivos. O que você pensa sobre isso?
Me desculpem, mas acho essas pessoas que são contra adoção de crianças por casais homoafetivos, um bando de ignorantes, pois ele não tem informação a esse respeito e por puro preconceito acreditam que a criança ao ser adotada por dois homens ou por duas mulheres, vai se tornar gay ou lésbica!
Essas pessoas não entendem que, por eles serem contra e divulgarem este preconceito todo, podem estar tirando uma segunda chance das crianças que estão nos abrigos, de ter uma família e serem felizes com pessoas que estão querendo amá-las...

16. O que você diria para estas pessoas que acham que é melhor deixar uma criança viver num abrigo, ao invés de serem adotadas por casais homoafetivos?
Diria para essas pessoas fazerem um esforço de se colocarem no lugar das crianças que estão dentro dos abrigos. Todas as noites elas vão dormir pensando quando vai ser a vez delas de ganhar uma família e muitas vezes essa crianças vão dormir chorando e pensando que não merecem uma família e que não merecem amor...

17. Muitas crianças ainda aguardam serem adotadas, principalmente no que se refere à adoção tardia. Se você pudesse pedir para que as pessoas adotem estas crianças, o que você diria?
Eu pediria para essas pessoas darem a si mesmo uma nova chance de mudar seus pensamentos e seus sentimentos! E também dar uma chance para uma criança que quer ser amada e amar.
Pois tenho certeza que essa criança vai mudar a vida dessa família e vai demonstrar que eles fizeram a escolha certa em adotar uma criança mais velha...

Por: Rita Ramos Cordeiro

Viver amor na família

O amor que nos une, nos torna uma família.

FAMÍLIA
Lei nº 12.010 de 2009 - Artigo 25 : "Entende-se por família extensa ou ampliada aquela que se estende para além da unidade pais e filhos ou da unidade do casal, formada por parentes próximos com os quais a criança ou adolescente convive e mantém vínculos de afinidade e afetividade." (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009)

“Na estação da vida fomos atraídos pelo vagão do destino que nos levou para uma maravilhosa viagem de encontro ao amor.”