Entrevistas
    
Segunda, 20 Novembro 2017 14:53

Entrevista com Claus-Peter O. Willi

A qual Casa Espírita está vinculado e que colaboração presta na Casa?

Neste momento estou mais vinculado ao Grupo de Apoio Joanna de Ângelis onde atuo como palestrante / passista. Na realidade profiro palestras em várias Casas além de colaborar com Cursos e Oficinas mantidas pelas mesmas.

 Como iniciou seu trabalho como palestrante e há quanto tempo?

Não sei exatamente quando começou, mas creio que fazem 13 anos. Foi na Associação Espírita Cabaninha de Antonio de Aquino.

Você abordou o tema: “Filhos Adotivos – Amor em Ação, em sua palestra no Seminário promovido pelo Instituto Chico Xavier em Itu – SP no dia 05.10.2013. Em sua opinião, qual a maior dificuldade nos dias de hoje de se encontrar um família adotiva para crianças abandonadas?

Por conta de minha experiência pessoal e via acompanhamento de grupos de apoio nas redes sociais pude observar que esta “dificuldade”, – no que diz respeito aos órgãos públicos, tem direta relação com o despreparo- via de regra- das pessoas ligadas à área. Apesar de todo o avanço em termos de legislação quanto ao assunto, o despreparo ainda é muito grande. Não podemos dourar a pílula nesta questão. Apesar de muita energia e verba pública ser dispendida no que diz respeito ao estímulo à adoção, os menores ainda são vistos apenas como processos numerados empilhados nas diversas instâncias do Poder Público esquecendo-se que são seres humanos com carências imediatas. À medida que a tradicional morosidade do Poder Público segue seu curso habitual, estas crianças vão crescendo e as chances de serem adotadas vão diminuindo proporcionalmente e eu diria numa progressão geométrica. Finalmente quando os passos processuais já estão prontos para disponibilização da criança à adoção ela já está na faixa daquelas que terão apenas 1 % de chances de encontrarem um lar.

 Há três anos você adotou uma criança. Nos conte como foi esta experiência.

Bem, não creio que possa em poucas linhas sintetizar esta experiência.

As dificuldades, decepções, momentos de angústia, de sentimento de invasão de privacidade por parte de técnicos e psicólogos envolvidos no processo de candidatura à adoção, de expectativa por um telefonema que nunca chegava, de olhares esperançosos recebidos de crianças que queriam um lar não foram poucas.

Por outro lado, o acolhimento por parte de todos os meus amigos e pessoas que me apoiaram no primeiro momento nesta iniciativa e que me fortaleciam a cada frustração ou tropeço tendo sempre a certeza da Espiritualidade Maior ao meu lado me intuindo, me estimulando. Meu imenso sentimento de gratidão a tudo o que me foi proporcionado por todos aqueles que passaram pela minha presente existência e pela certeza do amor vindo do Plano Espiritual por todos aqueles que afiançaram este meu “projeto” na presente existência me deram a força, coragem, resistência para aguentar o tranco – e a expressão mais real é esta mesmo – para o acolhimento deste espírito encarnado que hoje está meu filho.

Qual a maior dificuldade encontrada por um casal ao decidir adotar uma criança?

Creio que esta pergunta diga respeito à relação do casal quanto à adoção. Penso que – da mesma forma que na geração de filhos biológicos – o grau de expectativa quanto ao futuro filho seja a mesma. Claro que não há a questão de acompanhar barriga crescendo, etc, mas há a expectativa quanto às questões processuais, desde a decisão de um juiz, quanto à autorização da candidatura para inscrição no Cadastro Nacional de Adoção até a lavratura da nova Certidão de Nascimento. E este processo é bem mais demorado que nove meses.

O amor, o afeto, a ansiedade, o desejo, a expectativa, a espera, a incerteza do sexo, da aparência das condições de saúde, dos problemas com a educação e o comportamento, os conflitos. Tudo isso acontece nas relações entre pais e filhos, independente de serem filhos biológicos ou adotivos.

Os valores, paciência, dedicação, abertura de espaço entre o casal para a chegada do novo habitante ao lar são colocados à prova diariamente. Há que se ter uma relação muito sólida para que – sempre juntos – o processo todo seja levado a bom termo.

O preconceito com a cor da pele e a idade de crianças maiores é um empecilho para se efetivar uma adoção?

Os preconceitos – e assim o são mesmo “pré-conceitos” – são de toda sorte. A questão da adoção inter-racial e tardia é a porção mais visível do preconceito existente. O velado é aquele que se apresenta quando as crianças apresentam alguma falha – naturais a todas as crianças – e as pessoas logo despejam: Tá vendo? É adotado só podia dar nisto! Parece que filhos biológicos são absolutamente isentos de problemas – negativa de que se possa ter gerado alguém defeituoso pelo simples aspecto do sangue ter fluido de seu corpo pelo cordão umbilical – e que os adotados são restos mal formados como se fossem responsáveis pela condição em que se encontravam em abrigos e outras instituições. Infelizmente, ainda trazemos incrustado dentro de nós a relação – Casa Grande e Senzala

O preconceito inter-racial é maior pelos casais que desejam adotar uma criança ou pela sociedade em geral?

Quando falamos da adoção de um filho, o termo adotar ganha um significado particular. Nesta perspectiva adotar significa acolher - e por vontade própria deve-se frisar -  como filho legítimo, uma pessoa desamparada pelos pais biológicos, conferindo-lhe todos os direitos de um filho natural.

Para além do significado, do conceito, está a significância dessa ação, ou seja, o valor que ela representa na vida dos indivíduos envolvidos: pais e filhos.

Os casais que tenham verdadeiramente estes conceitos em mente não mantém qualquer tipo de preconceito. Infelizmente, a sociedade sim ainda assume uma postura extremamente preconceituosa em específico da adoção inter-racial bem como de vários outros com relação à criança à ser adotada.

Qual o prejuízo que uma adoção tardia pode acarretar em uma criança?

Uma adoção dita tardia – em meu ponto de vista – tem a questão principal relativa à construção da confiança na criança de que não será abandonada ou machucada novamente e me parece ser o ponto crucial para o processo de vinculação. Ela necessita de segurança e suporte para perceber que não está só no mundo. Essa segurança é passada através do amor incondicional, dos limites, do estímulo para que a criança expresse o que está sentindo e da ajuda para que ela compreenda as primeiras fases do processo de adaptação à nova família. A adolescência pode representar, sim, uma fase de turbulências, de questionamentos, de vir à tona vivências infantis e, junto com elas, as histórias que continuaram confusas, obscuras. No resgate da história do adolescente adotivo, existem as perdas das figuras familiares anteriores, a angústia ante o desconhecido que se perdeu lá atrás, a necessidade de falar sobre suas origens.

Após a adoção, existe muita dificuldade de adaptação entre pais e filhos adotivos?

É claro que – mesmo se esperando este filho adotivo – ele não deixará de ser um intruso na relação do casal. Em vez do eu para você e vice versa aparece o outro que – além de toda sua bagagem de mágoas, frustrações, de não ter – muita das vezes - a mínima noção de convívio saudável em família – será o objeto principal da atenção num primeiro momento. Muda-se totalmente a perspectiva do casal ou do(a) adotante com a chegada deste indivíduo.

Penso que, em poucas palavras, o mais importante é a disponibilidade para estar com a criança e possibilitar a troca afetiva, para uma relação profunda, verdadeira e amorosa.

A que se dá em muitos casos a rejeição da criança pela família que o adotou?

Todos nós temos problemas desse tipo e de muitos outros tipos. A história de uma criança adotada tem essa particularidade, cabe a todos que a rodeiam lidar com isso com afeto, compreensão e naturalidade.

Filhos biológicos ou não sempre tem muitos problemas. É natural, somos humanos.

Muitos pais adotivos acabam devolvendo a crianças aos abrigos após algum tempo em família. A que se deve este fato?

A sociedade tende a idealizar a relação entre pais e filhos, acreditando que tudo será impecável e não haverá conflitos. Os pais pensam que apenas o amor basta, mas não é bem assim. As dificuldades estão sempre presentes em nossas relações, seja no contexto da adoção ou não.

A rejeição de um amor parental é uma das maiores dores do ser humano. E isso não ocorre somente com famílias por adoção.

Será que esses adotantes que rejeitam e devolvem as crianças – afora a questão do amor incondicional - foram preparados de maneira correta para a adoção? Quem deseja adotar uma criança deveria conhecer outras famílias adotivas, tolerar a espera do processo, adquirir habilidades para lidar com preconceito, saber falar da origem da criança, entender as dores do abandono, especialmente em uma adoção de criança mais velha, etc.

A educação e a preparação para ter um filho adotivo tem que necessariamente passar por uma profunda reflexão sobre as próprias motivações, riscos, expectativas, desejos e medos. Filhos não estão no mundo para atender às necessidades dos pais, não são cópias nem massa de modelar, não devem servir nem como expiação à culpa nem como instrumentos de caridade.

Educar-se para ter um filho é estar pronto para acolher e ter a função de um porto seguro. Para sempre.

Como se conquista a afetividade entre pais e filhos adotivos? 

Como já disse anteriormente, na construção da confiança na criança de que não será abandonada ou machucada novamente.

Qual a diferença entre filho biológico e filho adotivo?

O sangue não garante nada, salvo as mesmas doenças que você tem em família. O que garante tudo é o amor, a dedicação, a disponibilidade e a formação que você se dispuser a dar.

No mais, entendo que a frase em abaixo, resume exatamente meus sentimentos e pensamentos à respeito:

"O filho biológico você ama porque é seu. O filho adotivo é seu porque você ama." (Luiz Schettini Filho)

 Diante de tanto preconceito envolvendo as uniões homoafetivas com relação à adoção, é possível mesmo assim um vínculo de amor e afeto familiar?

Bem, já tratamos quanto à questão de preconceito. Nesta pergunta temos o preconceito quanto à uniões homoafetivas e o preconceito com relação à adoção.

No primeiro caso, fico sempre pensando a quem e por que estas uniões incomodam tanto. Sou do firme pensamento de quem tem sua sexualidade plenamente resolvida não há que se " chocar " (se é que posso utilizar esta palavra ) com relação à sexualidade alheia.

Aliás, a questão não é mais como se conduz a sexualidade tal ou qual.Toda e qualquer conduta sexual que degrada, avilta, empobrece o ser humano, se caracteriza como reprovável.

Em todos os momentos e situações em que me questiono quanto a esta ou aquela conduta tenho sempre em mente o imenso amor que nosso Mestre Jesus nos dedica e de sua posição firme quanto ao erro e não quanto ao pecador.E aqui preciso que estas palavras sejam bem entendidas, não no sentido de que a união homoafetiva seja pecado mas em como o casal homoafetivo se conduz perante as Leis Divinas.

Lembro também - e acredito ser sempre de grande valia - das palavras do Apóstolo dos Gentios, o convertido de Damasco, Paulo : Tudo nos é licito mas nem tudo nos convém!

Quanto à questão da adoção dentro de uniões homoafetivas, demonstram recentes pesquisas por profissionais da área, que não há nenhuma relação entre a sexualidade do casal e a formação da sexualidade deste filho ou filha. Esta é, de acordo com o que tenho lido a respeito, a grande "preocupação" dos opositores à este tipo de adoção.

Finalizando, a formação de vínculos de amor e afeto independem - totalmente - de tal e qual sexualidade parental, mas na transmissão de segurança, conforto, valores morais à criança adotada.Os exemplos estão por toda parte.

Vamos sair da idade das trevas e adentrar um novo momento aonde a palavra AMOR seja conjugada em todas as suas formas e tempo!

 Qual a visão que a Doutrina Espírita tem da adoção?

Segundo Richard Simonetti há espíritos que reencarnam para serem filhos adotivos. Esta situação faz parte de suas provações, geralmente porque no passado comportaram-se de forma indigna em relação aos deveres familiares. Voltam ao convívio dos companheiros do pretérito sem laços de consangüinidade, o que para os Espíritos de mediana evolução representa sempre uma provação difícil, destinada a ensiná-los a valorizar a vida familiar.

Nos conte um pouco sobre os compromissos espirituais assumidos antes do reencarne em casos de pais e filhos adotivos.

Do livro "Astronautas do Além", psicografado por Francisco Cândido Xavier temos:

Existem no mundo aqueles filhos que reclamam compreensão mais profunda para que a existência se lhes torne psicologicamente menos difícil.

São os filhos adotivos que abordam o lar pelas vias da provação.

Muitos de nós, nas estâncias do pretérito, teremos pisoteado os corações afetuosos que nos acolheram em casa, seja escravizando-os aos nossos caprichos ou apunhalando-lhes a alma a golpes de ingratidão.

Desacreditando-lhes os esforços e dilapidando-lhes as energias, quase sempre lhes impusemos aflição por reconforto, a exigir-lhes sacrifícios até que lhes ofertamos a morte em sofrimento pelo berço que nos deram em flores de esperança.

Corre o tempo e, quando aqueles mesmos espíritos queridos que nos serviram de pais retornam à Terra em alegre comunhão afetiva, ansiamos retomar-lhes o calor da ternura mas, nesse passo da experiência, os princípios da reencarnação, em muitas circunstâncias, tão somente nos permitem desfrutar-lhes a convivência na posição de filhos alheios, afim de aprendermos a entesourar o amor verdadeiro nos alicerces da humildade.

Efetivamente, amas aos filhos adotivos com a mesma abnegação com que te empenhas a construir a felicidade dos rebentos do próprio sangue.

Agradecemos sua disponibilidade em conceder esta entrevista ao site do Instituto Chico Xavier e pedimos que deixe suas últimas palavras para nossos leitores. 

Agradeço à oportunidade que me foi dada pelo Instituto Chico Xavier.

Vejo nesta ocasião a oportunidade de trazer um pequeno relato em forma de perguntas e respostas aos amigos espiritas e não espíritas, minha mensagem do que está sendo este aprendizado de construção de AMOR junto a este espírito que há três anos me aceitou em estar seu pai nesta reencarnação.

Afora todos os preexistentes compromissos assumidos em reencarnações anteriores que agora nos unem como pai e filho de coração que nos fazem sempre relembrar que estamos inexoravelmente imersos na Lei de Causa e Efeito – o importante é que já estamos experimentando juntos da força maior do Universo: o AMOR.

Lembro sempre do imenso amor do PAI por mim e do tanto que a presente existência já me ofereceu e de como sou imensamente grato por isto.

Agradeço ao bom PAI e ao querido Mestre e Amigo Jesus pela oportunidade de me conceder a tutela provisória deste SEU filho que hoje habita meu coração na forma de meu filho.

 

FONTE: www.institutochicoxavier.com

 

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Viver amor na família

O amor que nos une, nos torna uma família.

FAMÍLIA
Lei nº 12.010 de 2009 - Artigo 25 : "Entende-se por família extensa ou ampliada aquela que se estende para além da unidade pais e filhos ou da unidade do casal, formada por parentes próximos com os quais a criança ou adolescente convive e mantém vínculos de afinidade e afetividade." (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009)

“Na estação da vida fomos atraídos pelo vagão do destino que nos levou para uma maravilhosa viagem de encontro ao amor.”