Preconceito
    
Segunda, 20 Novembro 2017 16:25

Sob o mal disfarçado véu do preconceito

“O amor que nos une nos torna uma família”.

Esta frase forte norteia minha vida e tem sido a bússola que me impulsiona para seguir em frente no trabalho e na vida que me propus a realizar e viver.

Ao longo dos anos meu companheiro e eu passamos por muitos momentos difíceis, quando vivenciamos na pele o preconceito ainda tão enraizado na sociedade.

O tempo passou, nos fortalecemos em nossa união, companheirismo e como não poderia deixar de ser, chegou o momento de coroarmos nosso amor com uma família.

A necessidade de dividir nosso amor e tudo o que conquistamos de bom em nossa vida, nos trouxe a adoção para perto de nós.

Foram momentos de angústia, felicidade, ansiedade, medo, quando finalmente conhecemos nossos filhos.

Dizem que ser pai - ou será mãe? - é padecer no paraíso e literalmente conhecemos o sentido desta frase, pois somente quando se é pai aprende-se a amar. Amor incondicional, aquele que nos torna melhores e que deixa para trás muitas de nossas maiores imperfeições.

Ser pai não nos torna santos ou nos exime de erros, mas nossos filhos com certeza são a chave para uma mudança interior que nos torna melhores a cada dia.

Dizer que tudo é lindo e maravilhoso seria omitir uma realidade que não existe.

Quando nos unimos, meu companheiro e eu sabíamos dos riscos e do preconceito que enfrentaríamos e ao longo dos anos nos fortalecemos e nos preparamos para isso.

Quando optamos pela adoção, sabíamos que iríamos enfrentar muitos preconceitos-declarados ou velados - principalmente porque optamos pela adoção tardia e também adoção pela adoção inter-racial.

Por mais que tenhamos nos preparado para o preconceito que nossos filhos enfrentariam, a realidade nos mostrou que as dificuldades seriam maiores. Ver um filho sofrer o preconceito é uma dor brutal ainda maior quando praticado por parte de adultos.

Apesar de todas as manifestações de carinho que nossa família tem recebido, é possível sentir aqui e acolá um velado preconceito. Talvez o que estamos construindo seja por demais para o entendimento estreito de alguns ou aponte as feridas internas que trazem consigo ainda não assimiladas e curadas.

São pessoas que escondem-se atrás de uma amizade ou um sorriso que não são verdadeiros - muito pelo contrário - e que em determinado momento deixam cair as máscaras.

Nestes momentos nos pegam desprevenidos e enfraquecem nossas estruturas por certo tempo, mas apenas o tempo suficiente para nos levantarmos novamente para agradecer cada vez mais pela vida e pela família que Deus uniu, pois são justamente nestes momentos de fraqueza que nos amamos e nos fortalecemos mais.

É justamente nestes momentos de fraqueza que percebemos que apesar do preconceito ainda estar tão presente e machucar tanto, o bem é ainda maior, pois nos mostra que temos amigos sinceros e verdadeiros que realmente torcem por nós. E ao compararmos o bem e o mal praticado, percebemos que o bem ainda é maior.

Então, sendo assim, os momentos de dor e fraqueza são menores e passageiros, pois nos lembra que é por causa deste enorme amor em nosso coração que nos une, que nos torna uma família.

Por: Claus-Peter O.Willi

 

Viver amor na família

O amor que nos une, nos torna uma família.

FAMÍLIA
Lei nº 12.010 de 2009 - Artigo 25 : "Entende-se por família extensa ou ampliada aquela que se estende para além da unidade pais e filhos ou da unidade do casal, formada por parentes próximos com os quais a criança ou adolescente convive e mantém vínculos de afinidade e afetividade." (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009)

“Na estação da vida fomos atraídos pelo vagão do destino que nos levou para uma maravilhosa viagem de encontro ao amor.”