Nossa história
    
Sexta, 10 Novembro 2017 23:32

Reunião na escola

Estamos aqui em Berlin há oito meses. Primeiro viemos meu filho mais velho e eu e depois de três meses o mais novo e meu marido se juntaram a nós.

Podem imaginar a mudança imensa que isto significa!Transplantar raízes em todos os sentidos! A barreira do idioma, clima, cultura, escola, entre outros nos deixaram – a meu marido e eu – muito receosos sobre o acerto ou não desta mudança.

Como em tudo esta decisão foi planejada e avaliada em seus riscos, dentro da medida que se pode supor quais os desafios para todos nós e a nossa capacidade de resiliência.

Esta semana fui chamado a reunião na escola para uma conversa com a professora de meu filho mais novo. Tanto ele quanto o mais velho fazem parte do curso de Integração promovido pelo Governo alemão aos que chegam ao país sem o conhecimento do idioma e que por aqui pretendem permanecer.

Em escolas regulares estaduais por toda a Alemanha estes cursos são promovidos e contemplam também carga horária obrigatória quanto ao país e seus aspectos culturais e sociais permitindo – como diz o próprio título do curso – uma integração à vida do país.

Fabioni e Wesley frequentam diferentes escolas estaduais em classes de integração junto com outros garotos vindos de diversas nacionalidades, e por conseguinte, diferentes questões culturais. Via de regra estes adolescentes, muitos deles refugiados, são oriundos de países de religião islâmica. Atenção redobrada! Esta questão porém creio que deva ser matéria de outra conversa.

Na realidade todo este preâmbulo teve por origem a lembrança de uma pessoa que acompanhava nosso site Viver Amor na Família e os comentários extremamente negativos que fazia a respeito de crianças serem adotadas por casais homoafetivos às quais, segundo ela, estariam bem melhores dentro dos abrigos do que sob a proteção e guarda de homossexuais. Confesso que de uma certa forma também tínhamos receios quanto à esta questão. O amor também raciocinal!

Tudo o que nunca quisemos para nossos filhos era que nossa orientação fosse causadora de algum constrangimento em seu desenvolvimento e progresso.

Pois bem! Neste novo país e cercados de todas as transformações possíveis e inimagináveis nas nossas vidas fui a tal da reunião com a professora.

Após uma conversa em conjunto com Fabioni, pude ouvir da professora sua avaliação quanto a ele.

Como todo pai que se preze fiquei todo orgulhoso da avaliação que ela fez quanto à participação, responsabilidade, organização, interesse e dedicação, apresentados por ele nestes meses de curso e ela terminou nosso encontro com um comentário que me levou a lembrar imediatamente, não somente daquela pessoa que já comentei acima, mas de todas que veem nossas famílias homoafetivas como potencialmente perigosas para as crianças.

Resumindo, me disse que estava muito, muito feliz como mãe e professora e em conhecer o pai de um garoto tão ajustado, seguro de seus sentimentos, tão carinhoso e dedicado e – palavras dela – reflexo do que vive e traz de seu lar! Infelizmente ela já não podia dizer o mesmo de alguns outros garotos, colegas de meu filho, oriundos de formações familiares “convencionais” .

Talvez seja algo sem importância e outros tantos dirão que não deveria me preocupar com a questão da nossa formação familiar e o desenvolvimento de nossos filhos. Não tenho esta certeza!

A única certeza que tenho é que todo nosso amor e dedicação estão voltados a eles. Que nosso desejo é que cresçam seguros, fortes, sabedores de seu espaço e conhecedores de suas potencialidades. Que sejam pessoas íntegras e que, sendo assim, possam ajudar a construir um mundo melhor a partir de suas realidades e que amem sempre e muito! Que não machuquem e nem se deixem machucar!

Estamos felizes por eles e por nós!!

Ah...aos que são pais e mães “ não convencionais “ só desejo que não se deixem abater por vozes cujos objetivos, via de regra, são apenas o de escurecer onde se fez luz pelo amor! Pelo amor vivido em família seja ela como for!

Por: Claus-Peter O. Willi 

 

 

Viver amor na família

O amor que nos une, nos torna uma família.

FAMÍLIA
Lei nº 12.010 de 2009 - Artigo 25 : "Entende-se por família extensa ou ampliada aquela que se estende para além da unidade pais e filhos ou da unidade do casal, formada por parentes próximos com os quais a criança ou adolescente convive e mantém vínculos de afinidade e afetividade." (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009)

“Na estação da vida fomos atraídos pelo vagão do destino que nos levou para uma maravilhosa viagem de encontro ao amor.”